"Les tableaux sont effrayants, les principes sont perverts, les conséquences sont terribles, et c'est pourquoi nous avons écrit. S'il est dangereux de parler, il serait perfide de se taire." Jean-Pierre Louis de Luchet
28 de Abril de 2012

A última reunião do Banco Mundial com o FMI ficou marcada por manifestações de ansiedade face à grave deterioração da situação económica europeia, cuja crise tem origem, nas palavras de Lagarde, nas crescentes e insistentes medidas de austeridade ditadas pelo eixo franco-alemão. Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, à beira-mar plantada, uma pequena aldeia lusitana resiste ainda e sempre aos apelos de bom senso que de todos os quadrantes lhe montam cerco. Sem aparentarem grande preocupação pela degradação da situação económica e social, Passos Coelho e Cª prosseguem a sua cruzada ideológica locomovendo-se com o combustível moral de quem acredita em predestinada missão de redenção pátria.

 

Passado quase um ano de exercício de funções executivas pela coligação governamental, constata-se que o inexperiente e persistente colectivo de ministros se mostra plenamente incapaz de resolver os grandes problemas do país. As medidas da suposta revolução tranquila resultaram no agravamento dos principais indíces económicos e sociais. A receita para a tragédia foi retirada da cartilha neoliberal: "A desvalorização interna é a única solução possível no equilíbrio das contas públicas". Passos "dixit", todavia a aritmética é inexorável e não mente no que toca aos resultados da poção mágica que junta austeridade com desvalorização interna: o desemprego atinge históricos 15% com previsões de crescimento, anunciadas pelo primeiro-ministro em intervenção na Assembleia da República. A inevitabilidade com que estas boas-novas são anunciadas ao país é tão mais alarmante quando se percebe a fé desconexa com que é expressa por quem nos lidera. A queda da receita fiscal em cerca de 5% e o aumento da despesa em 3,5% alargam o buraco das contas públicas a um ritmo não recomendável para quem se encontra à beira do precipício. Os expectáveis aumentos de impostos estão aí, mascarados de taxas às grandes superfícies e afins. Seguir-se-ão novos impostos sobre a propriedade e o consequente afundamento da economia numa espiral recessiva que é uma realidade não sujeita a superstições: a dívida pública que foi de 100% do PIB em 2011, crescerá para 112% em 2012, atingindo no ano seguinte históricos 118%. Paralelamente, a economia sofrerá uma retracção de 4% até ao fim deste ano, enquanto cerca de 30 empresas encerram actividade diariamente.

 

Ultrapassado pelos acontecimentos, Passos Coelho já admitiu que o regresso do país aos mercados não acontecerá antes de 2015, sendo que as recentemente anunciadas medidas de austeridade deixam antever um novo resgate. Atordoado pela ineficácia de uma cartilha que teve por infalível, o primeiro-ministro enveredou pela propaganda ilusória quando anunciou o crescimento da economia já a partir de 2013, sendo secundado por um Cavaco ainda mais desfasado da aritmética, que de Belém demonstra optimismo no crescimento já a partir do 2º semestre do ano em curso. Não obstante a fé que percorre as sinapses presidenciais e executivas, a poção só é mágica se incluir três ingredientes: aumento do consumo interno, aumento das exportações ou aumento do investimento. A desvalorização salarial deprime a procura interna, com uma queda prevista de 14% do poder de compra dos portugueses só neste ano. Primeira via de crescimento cortada. Apesar do aumento das exportações em cerca de 13% das exportações nacionais, o valor é residual em termos absolutos, sendo que as empresas responsáveis por este incremento são estrangeiras (a Autoeuropa surge à cabeça) e incorporam na produção matéria-prima importada. O alfa e ômega da política económica em vigor não parece levar em linha de conta um euro fortemente limitador das exportações para mercados não europeus ou o efeito desacelerador que a recente escalada do preço do petróleo terá na economia mundial. Last but not least, os períodos recessivos limitam ou anulam a capacidade de investimento das empresas, já exauridas por uma carga fiscal que há muito atingiu o extremo direito da curva de Lafer e por custos de produção desproporcionados em termos contextuais. O investimento público não é uma opção, pelo desiquilíbrio das contas nacionais e pela opção ideológica plasmada no tratado recentemente aprovado na Assembleia da República. Em suma, falar em retoma perante estes factos apenas pode indiciar uma poção mágica inquinada por ingredientes com propriedades alucinógenas.

 

Não satisfeito com o chorrilho de patacoadas, o executivo assume gradualmente o desiderato moral de privatizar, pelo menos parcialmente, a Seurança Social e o Sistema Nacional de Saúde. Aparentemente, Passos e Gaspar não estão devidamente informados sobre a catástrofe que se abateu sobre milhões de norte-americanos que viram as suas poupanças esfumarem-se no meio do turbilhão financeiro iniciado em finais de 2007. Paulo Macedo não sabe que um terço das famílias do outro lado do Atlântico está em situação de insolvência por obra e graça de um sistema de saúde privado altamente predatório? O sistema de saúde privado americano é tão eficiente que a sua despesa é duas vezes superior ao sistema de saúde alemão e três vezes (!) superior à despesa do Sistema Nacional de Saúde. Porquê a insistência neste caminho? A Medis responde. Em dez meses de governação não houve espaço para tocar numa única PPP, quiçá devido ao empenho nos cortes à classe trabalhadora e mais desprotegida. Onde estão as reformas fundamentais para o relançamento e modernização da economia? Estes arautos de Freedman nunca ouviram falar de distorsões de concorrência? Para quando a abertura deste paradigma económico geneticamente oligopolizado e cartelizado? Para quando o fim de privilégios obscenos e imorais daqueles que parecem intocáveis?  Porque são sempre os mais fracos a pagar uma factura que não é sua? Quando a ideologia se sobrepõe à dignidade e à ética, a serenidade dos representados desvanece.

coagitado por Daniel Martins às 10:20
29 de Novembro de 2011

 

 

 

 

“But I don't want to go among mad people," Alice remarked.

Oh, you can't help that," said the Cat: "we're all mad here. I'm mad. You're mad."

How do you know I'm mad?" said Alice.

You must be," said the Cat, "or you wouldn't have come here.”

 

Lewis Carroll,  in "Alice's Adventures in Wonderland"

 

 

A austeridade, hedionda forma de expressão e eficaz arma de aniquilação social, fez implodir num ápice, pela via eleitoral, os governos de três países: Irlanda, Portugal e Espanha. Aliada à necessidade de acalmar os mercados - sendo estes o verdadeiro bicho papão dos tempos que correm -  testou, poupando o capital e o aborrecimento de uma ida às urnas, sem protestos visíveis ou noticiados, o caminho perigoso de substituir sem votos os executivos de outros dois estados: Grécia e Itália. Papademos, o chefe do executivo helénico, voou para Atenas directamente do Banco Central Europeu e da Comissão Trilateral, de um tal de Rockefeller. Tem por isso o beneplácito dos mercados. Monti, que chefia o governo transalpino, conquistou-o enquanto comissário europeu. Ambos são resultado dessa excelente escola de feitiçaria financeira que é a Goldman Sachs, como não poderia deixar de ser. Passos Coelho, discípulo afincado da troika, esforça-se por agradar a Merkel e tem merecido rasgados elogios dos representantes dos ditos mercados. Nenhum dos três desfruta, todavia, de legitimidade democrática para governar. Os dois primeiros por ausência de sufrágio. O actual inquilino de São Bento, por praxis: tudo o que prometeu  na aparentemente longínqua campanha eleitoral, usou para ser eleito. Atingido o desiderato de liderar a nação e de ver cumprido o sonho de Sá Carneiro, olvidou o que veementemente garantira e incumpriu.  A assunção de um desígnio de serviço público, como forma de melhorar a vida dos seus concidadãos, não é ideal que o entusiasme. Há que expandir horizontes. Para os mercados, claro está.

 

As desilusões perante o logro e as evidências de um abismo tido por inevitável, são de efeito explosivo, que afasta a esperança e acicata a revolta: assistimos amiúde a intervenções presidenciais que preterem o direito dos cidadãos em benefício do desvario de poderes pouco ocultos e com índices de vergonha de proporção nula; estamos todos, portugueses, siderados com sucessivas interpretações de juízes do Tribunal Constitucional, doutas sumidades, consonantes com os interesses das áreas políticas que os indigitaram, ainda que em dissonância com a Constituição que juraram defender; a desconfiança num Parlamento que já provou ser arena de lamacentas jogatanas, jamais indulgindo nesse ideal de servir um povo, votando de acordo com a agenda de partidos feitos clubes de ascensão profissional e social para seres acríticos, desejosos de meter a mão no quinhão que deveria ser comum. Analisados os factos, a democracia periclitante e o estado de direito seguiram o conselho de Ferreira Leite,e encontram-se actualmente a gozar uma não breve licença sabática. Anseia-se por uma IV República que lhe ponha cobro. Porque a mãe de todas as crises é a crise de um sistema podre e falível, baseado em conceitos individualistas e desumanos, desagregados do bem comum. De um regime de tecnocratas, manobrado por maçons, paladinos da ordem de Escrivá e por banqueiros que depressa recuperaram a influência e desdém de outrora.

 

A fixação na mera contabilidade pública - de acordo com os ditames de Chicago -  está a gerar uma espécie de governo kafkiano. Tal atmosfera deve-se mormente à sequência infindável de medidas quase surreais, geradas por uma lei maior e inacessível, que está no entanto em perfeita conformidade com os parâmetros reais da sociedade hodierna. O ministro da economia esforça-se por mostrar trabalho através de fait divers e de anúncios de investimento estrangeiro, sobretudo na indústria extractiva. À boa moda de qualquer país intervencionado por essa benemérita instituição que dá pelo nome de FMI. Não querendo ficar atrás de  Manuel Pinho, assegurou que “2012 vai certamente marcar o fim da crise”. O ministro das finanças faz com Ricardo Salgado & Cª a verdadeira quadratura do círculo: aceita o liberalismo quando toca a especular e corre a protegê-los quando a roleta não é amiga. Mantendo sorumbática postura, rejubila com o anúncio da gestão de emergência. Passos Coelho pediu, Gaspar cumpriu: o país tem de empobrecer, dê por onde der. O secretário de estado do emprego contou no hemiciclo parlamentar uma laracha que fez rir os mais sisudos, quando afirmou que o salário mínimo nacional (485 euros) não é baixo. O secretário de estado do desporto e da juventude, num assomo de sinceridade, convidou os mais jovens a optarem pela porta de saída, pois este país não é definitivamente para jovens. O secretário de estado da administração pública anunciou mexidas nas tabelas salariais dos funcionários públicos. Gaspar desmentiu-o e chamou-o de especulador público.  Sendo a especulação premiada e protegida pelo executivo, tratou-se naturalmente de um elogio.

 

Enquanto as sondagens nos asseguram que a maioria dos portugueses já cedeu à aparentemente acrítica e realmente nada bem intencionada noção de inevitabilidade das medidas de austeridade, começa a levantar-se um novo coro, que rejeita a suspensão da Constituição  e do sentido de justiça social.  Nem o mais concertado dos esforços comunicacionais conseguirá disfarçar a literal falência do edifício monetário e financeiro que sustenta a envelhecida Europa e a ilusão americana. Por cá, mais cedo do que tarde, gritará uma crescente maioria, que não aceita a apreensão de salários para que o Estado feito Robin dos Bosques mefistofélico devolva a alguns o que esbanjaram em gananciosas especulações fracassadas e presenteie todo um povo no balanço da divida com o que outros, impunemente, roubaram, não sem antes terem dado uns tantos conselhos de estado. Muito menos aceitarão o empobrecimento estratégico e planeado. Assim se explana o imperativo moral que os ditadores de circunstância simulam não compreender, esmagando direitos humanos, constitucionais e civilizacionais que tomam por privilégios desmesurados e ignorando, quando não decretando novos, os verdadeiros privilégios e causas da falência  financeira, mas primordialmente moral e humana, do sistema.   

coagitado por Daniel Martins às 20:32
08 de Novembro de 2011

 

austero |é|
(latim austerus, -a, -um)

adj.

1. Que é muito rigoroso nos seus princípios.
2. Rígido, severo.
3. Sério e grave.
4. Penoso.
5. Ríspido.
6. Sombrio, escuro.
A mera constatação das qualidades associadas ao adjectivo que rege o nosso quotidiano e que caracteriza a liderança portuguesa e europeia deveria ser suficiente para a real percepção dos efeitos que o caminho preconizado necessariamente acarretará. Confiança gera confiança, tal como severidade redunda em restrição de espírito e de soluções. Mais do que eventuais complexificações académicas, urge questionar a essência das propostas sobre a mesa. De volta à blogosfera para cogitar sobre estas temáticas. De forma mais elaborada, tentando não fugir das mais básicas evidências.
coagitado por Daniel Martins às 11:48
11 de Janeiro de 2011

Os reis da crescente retórica medieval do Tea Party, Glenn Beck e Sarah Palin, continuam a sua demanda pela reconquista de Washington. Ambos têm sido frequentemente citados pelos media norte-americanos, a propósito do incidente mortal ocorrido no Arizona. Enquanto a congressista Giffords enfrenta o derradeiro destino, o mórmon que chora enquanto vocifera aberrações anacrónicas mostra toda a sua preocupação pela segurança pessoal da antiga governadora do Alaska. Sintomático. Perante semelhantes afirmações de preocupação pelo bem-estar da personagem que alimenta insónias  de qualquer ser humano dotado de bom senso, todas as tentativas de branquear a responsabilidade moral pelo sucedido em Tucson tropeçam num enorme ponto de interrogação.

 

Jared Loughner, o carrasco de Tucson, será o único que poderá esclarecer cabalmente as razões de tão tresloucado acto. Todavia, quaisquer que tenham sido os seus motivos, a dividida sociedade americana deparou-se com os efeitos da interpretação deveras extensiva da Segunda Emenda, professada pelos correligionários de Barry Goldwater, como Sharron Angle:

 

You know, our Founding Fathers, they put that Second Amendment in there for a good reason and that was for the people to protect themselves against a tyrannical government. And in fact Thomas Jefferson said it’s good for a country to have a revolution every 20 years.

 

I hope that’s not where we’re going, but, you know, if this Congress keeps going the way it is, people are really looking toward those Second Amendment remedies and saying my goodness what can we do to turn this country around? I’ll tell you the first thing we need to do is take Harry Reid out.

  

As palavras da candidata derrotada por Harry Reid no Nevada foram proferidas em Junho do ano passado. Logicamente, não houve, nem se espera, qualquer espécie de retrocesso ou de arrependimento por parte da autora do incendiário discurso.  Mais preocupante é o silêncio da liderança nacional do GOP. A inexistência de uma única voz de repúdio pela retórica de violência é reveladora de  maquiavelismo insensato, cujo único fito é a conquista do poder a qualquer custo.

 

A questão que preocupa a generalidade dos comentadores do outro lado do Atlântico não concerne, naturalmente, na equiparação das palavras de Sharron Angle com o acto inenarrável perpetrado por Loughner, no passado sábado. Na verdade, a questão é mais profunda e preocupante: saber até que ponto Loughner, Angle e a generalidade dos líderes e seguidores do Tea Party partilham a mesma filosofia e visão política. O recurso à falácia da violência no confronto político é óbvio em ambos os casos, embora Angle tenha recorrido à palavra e à ideologia por oposição à raiva e brutalidade de Loughner.

 

O até agora anónimo Loughner enfrentará a justiça e a condenação parece mais do que certa. Angle e os republicanos que a apoiam foram céleres no repúdio ao recurso à violência e na condenação do incidente que, provavelmente, marcou o início do fim de Palin e companhia. Ousar culpabilizar a antiga governadora do Alaska, Sharron Angle ou o Tea Party pelo sucedido seria um manifesto exagero. No entanto, tanto eles, como a sociedade americana, ficaram cientes do impacto que a retórica belicista e de antagonismo extremo tem num país onde se pode adquirir uma metralhadora automática em qualquer Walmart. Sarah vê a Casa Branca por um canudo, Obama acaba de garantir uma segunda metade de mandato mais tranquila e a reeleição deixou de ser mera miragem. 

coagitado por Daniel Martins às 17:51
05 de Dezembro de 2010

Portas, o Paulo, rejubila perante a perspectiva de voltar a ocupar um qualquer trono ministerial. AD é a palavra de ordem que perpassa o horizonte que ilumina o Caldas. Para os lados da Lapa, espera-se o cumprimento do sonho de Sá Carneiro, sem deixar cair o amigo de Rumsfeld, não vá o povo trocar as contas ao discípulo de Ângelo Correia. Os despojos deixados por um grupo de fulanos travestidos de socialistas não são desprezados pelos senhores que se seguem. Alternância democrática, com forte laivos de bipolarismo. Rawls não era fã, mas o povo anestesiado há muito se deixou de quimeras políticas.

 

José, o Sócrates, multiplica-se em iniciativas diplomáticas, esperando ser confundido com Lula. Nem uma palavra dedicada ao bicho papão da crise ou às constantes trapalhadas ministeriais. Dir-se-ia que o ainda inquilino de São Bento tenta esconder-se, que nem menino traquina, envergonhado pela última partida perpetuada no recreio. Com Bruxelas de portas fechadas, anseio por saber qual a próxima experiência a adicionar ao currículo de José, o homem que um dia se deixou iluminar por Sá Carneiro. Seguro de si, António José prepara-se para tentar trazer o socialismo de volta ao Rato.

 

A jogatana de sempre prossegue firme e segura. A factura chega na volta do correio e os destinatários persistem em não assacar responsabilidades aos senhores. Perdeu-se a crença no amanhã, quando o hoje se tornou realidade insuportável. Num ápice analógico, vejo-me numa fita de Meirelles. Cegueira endémica. Saramago dixit. Penso duas vezes. Nunca saí de Yoknapatawpha County.

coagitado por Daniel Martins às 20:31
27 de Novembro de 2010

 

 

 

Nascido na Polónia, mas convertido em real súbdito de Sua Alteza Com Mais Baixos Que Altos - Vitória - Joseph Conrad encontrou o esplendor literário com Heart of Darkness. Obra-prima que influenciou alguns anos mais tarde Faulkner e afins. A trama passa-se no Congo belga e o grande novelo narrativo passa por três grandes dimensões: as sempre inóspitas paisagens africanas, a exploração do elo mais fraco da sociedade, no caso empreendida pelos colonialistas europeus, e a crueldade e frieza das atitudes humanas.

 

Extrapolando as meras intenções inexistentes em Conrad, podemos afirmar que o escurecer celeste, que se transforma em sombra do enredo desde as linhas iniciais, é demonstração cabal de um pessimismo inerente à própria existência. Dir-se-ia que a própria experiência adquirida, por vezes travestida pela força do vocábulo maturidade, transcende o homem para o baú escondido no sótão do seu conformismo. O próprio resgate de Katz permite inúmeras analogias com o grande escape que se perpetua entre os poderosos prevaricadores deste nosso mundo. Mais e mais global. Menos e menos esperançoso.

 

Leopoldos ainda os há. Mais sinuosos, menos extravagantes. Apreciam as Caimão e esquecem os adornos feitos de membros decepados de corpos de nativos. Evolução, dirá o incauto e sempre desprendido leitor. Ardilosos, digo eu. Mudam-se os tempos, alteram-se algumas vontades e permanece a arquitectura social, transversal a todas as sociedades e circunscrições geográficas. Um pouco à semelhança do jovem traquina, que julga estar perante uma nova bicicleta, após breve pintura de cores garridas. Inevitável? No cinzento do firmamento, sinto-me tentado a responder afirmativamente.

 

O lapso de Conrad, intencional ou não, foi o epílogo incompleto. A minha verve sonhadora leva-me sempre à segurança de um amanhecer inexorável, independente de tempestades transactas. A roda do progresso prossegue, por vezes abrandando perante as eternas pedras de tropeço que a própria natureza humana persiste em colocar no trilho de uma História mais bela do que muitas penas ousam escrever.  

coagitado por Daniel Martins às 12:16
22 de Novembro de 2010

Na próxima quarta-feira, milhares de "malandros que não querem trabalhar" (adicionar um ligeiro sotaque queque na leitura dos vocábulos entre aspas) sairão para a rua em protesto contra as draconianas medidas anunciadas pela junta de salvação dos mesmos de sempre: PSD e PS. O amorfismo que tolhe o discernimento de milhões tem necessariamente que ter um fim. Mais não seja, porque nesta realidade em que nos inserimos, todas as aparências e evidências desaguam num inevitável destino. Que hoje, ou quarta-feira, seja o dia!

 

Aqueles que persistem em camuflar o seu receio ou conformismo com a suposta inutilidade do grito de protesto não sairão vencedores. Tal como vencedores não sairão os que no trono de marfim persistem em perpetuar a estrutural pilhagem dos recursos de todos. Gosto de acreditar e não fujo do sincero lirismo, como se o apelo de voz inquieta pudesse despertar supostos deuses. Ou o mero sentimento geral de humanismo e de justiça. Vozes de burro não chegam aos céus, garante do outro lado da mesa alguém que no Restelo encontrou a última idade. De onde, em bom abono da verdade, nunca saiu.

 

Paremos e lutemos. Os incómodos infligidos em causa própria são incontornáveis, porém microscópicos se comparados com a conta que vai ainda e sempre chegar na volta do correio. Ápices chegam em que sou assolado por imparável vontade de agregar vozes e essências nesta sempiterna luta pelo que é inato ao ser humano: os sentidos de comunidade e de solidariedade. Razões que bastam. E tantas outras. Lá estarei.

coagitado por Daniel Martins às 20:50
19 de Novembro de 2010

coagitado por Daniel Martins às 09:36
17 de Novembro de 2010

coagitado por Daniel Martins às 13:12

 

 

O Alves veio falar comigo, em busca da sua bisemanal semanada, que lhe institui há algum tempo, num acordo tácito e sem palavras.

 

- Cortaste o cabelo, Alves. Estás com bom aspecto.
- Vai caralho - respondeu o Alves, virando-me as costas.

 

O Alves é o denominado sem-abrigo, dorme na rua, vive na rua, mas não admite confianças. Provavelmente porque tresandam a paternalismo e ele é uma criatura cheia de dignidade e ciente do seu espaço. Não vende o que é. Mas teme.


Um dia, uma colega cumprimentou-o e ele respondeu, desabridamente:
- Conhece-me de algum lado?


Ela pediu desculpa, e nunca mais o fez.
O Alves não fala com ninguém. A única pessoa a quem o Alves permite um arremesso de intimidade sou eu. Nos curtos diálogos que travamos, responde-me sempre com uma  voz estranhamente baixa e cavernosa. Uma voz que parece vir de muito, muito longe.
De um mundo remoto, onde se perdeu dos restantes seres viventes. E dele próprio.


O Alves dói. Dói-me ainda mais no tempo frio e nas noites de chuva. É uma dor toda feita de impotência. Aliás, é uma pré-dor, como uma leve agrura, que nos avisa que um dente se prepara para nos dar problemas sérios. Indago-me amiúde sobre o móbil da minha preocupação. Será por desinteressado humanismo? Impotência perante a incongruência de toda esta película de série B? Momentos surgem em que me vejo na pele dele. Talvez o faça por isso. Amizade, pela certa.


Sei o seu nome, graças ao senhor Manuel da taberna onde costumo almoçar, que o conheceu na noite dos tempos em que ele falava e vivia no bairro, numa casa como toda a gente. E andava pelos bares, bebendo nada. Parece que quando a mãe morreu, ele ficou sem casa e sem capacidade de se reger pelas nossas regras de vida. Há cerca de dez anos. Foi utente de vários estabelecimentos prisionais e ninguém lhe conhece familiares.

 
Nos tempos em que falava era um homem altivo, grande e bem constituído, bonito e assustador. Uma espécie de viking de cabelo louro desalinhado, que já olhava o mundo com bastante desprezo. Agora é um velho curvo e só. A rua transformou-o, ano após ano, num vagabundo enorme, gordo, silencioso, uma figura apocalítpica de cabelos emaranhados, barba cerrada, que vê televisão diante das montras de um qualquer café de Alcântara, sempre acompanhado da sua estimada bengala.

 
Não pede esmola. Nunca.


Às vezes encontro-o sentado nos degraus da igreja ou na entrada do parque de estacionamento. Nessas alturas, parece-me o hóspede desconhecido, esse deus oculto num farrapo quase humano, que vigia a nossa humanidade ou a falta dela, pela forma como nos comportamos.

 

 Dou-lhe um cigarro, estende-me o isqueiro. O apogeu desta hora de almoço durou os exactos cinco minutos que as labaredas demoraram a consumir o invólucro de papel. Sorrimos. Amanhã? Who gives a damn?

coagitado por Daniel Martins às 13:02
28 de Outubro de 2010

Arrastando os pés seguimos quase que por destino o carro funerário, enquanto me esforço para olvidar a lenga lenga de um padre desconhecido da família e de defunto. Igrejas, vidas, decisões. Mal amanhadas formas de entrar em espiral regressiva face ao derradeiro destino. Nessa hora, o nosso espólio é depositado nas mãos de um qualquer familiar ainda e sempre desamparado. Tudo o que fomos ou não tivemos o engenho de ser perde relevância e tirando o vazio que habitará na consciência dos que nos rodearam, em breve seremos um singelo dado estatístico. Depois disso, raros serão lembrados. E corremos, evitamos, comemos e sorrimos, sempre na ânsia de aproveitar esta aleatória e confusa existência. Fim? Desconheço resposta. Tal como o anónimo sacerdote.

coagitado por Daniel Martins às 23:07
27 de Outubro de 2010

Após uma leitura de Rancière mais transversal do que o desejável, surgiu-me um daqueles eurekas! que nem a Mefistófeles lembram: a democracia é o espaço de litígio que caracteriza a época - apesar de tudo...- estética em que vivemos. Orfã de Deus (graças ao próprio conceito) e de paradigmas dogmáticos, tem no ser cerne um conjunto de forças de pensamento, de emotividade, de sensação e de acção, cujo desfecho é necessariamente incerto. Não sendo variáveis determinantes a acrítica maioria ou eventuais consensos publicitários. Tempo de voltar ao demos e deixar por momentos a cracia sossegadita. Ouçamos. Sigamos a anatomia, que sabiamente nos aponta a humana característica de nascermos com dois pontos e audição e apenas um de verbalização.

coagitado por Daniel Martins às 23:56
26 de Outubro de 2010

O fenómeno recente numa economia global cada vez mais dependente de El Dorados é o chamado CIVETS. Resumindo o que daria direito a uma verdadeira dissertação macroeconómica, o referido acrónimo refere-se à nova elite de países emergentes. Colômbia, Indonésia, Vietname, Egipto, Turquia e África do Sul tomam assim o lugar até aqui pertencente aos então denominados BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Enquanto "investidores" dos quatro cantos do mundo se acotovelam para garantir a sua parte do anunciado quinhão, impõe-se uma reflexão sobre os reais benefícios de semelhante denominação para as populações das circunscrições geográficas em causa.

 

Se o fenómeno Lula da Silva conseguiu mitigar desigualdades resultantes da "established" realidade económica, o mesmo não poderá ser dito no que toca aos restantes países que foram "iluminados" pelos focos económico-mediáticos. Na realidade, russos, chineses e indianos, pouco ou nada viram como resultado do "boom" a que supostamente foram sujeitos. Baseando-se em rudimentares regimes democráticos (ou menos do que isso, no caso chinês), a expansão económica que tem guiado estes países tarda em bater à porta da generalidade dos lares dos cidadãos.

 

Baseando-se em perspectivas de lucro a curto prazo, as políticas económicas prosseguidas em todos estes casos estão longe de assegurar a redistribuição de riqueza que deve balizar qualquer perspectiva futura. A miséria continua a pontuar as ruas de Bombaim, Pequim ou Moscovo, enquanto meia dúzia de políticos ou financeiros se regozija pelos dividendos gerados. Idealista será epíteto de vã ofensa e a verdade é que cada vez mais se coloca um gigante ponto de interrogação sobre o modelo socioeconómico de que todos,  com maior ou menor dimensão, dependemos. Métricas pouco condignas ,como o PIB, limitam os horizontes globais. Enquanto não for adquirida a consciência que claramente nos indica que não é este o trilho da dignidade humana, não poderemos alterar edifícios de papel que continuam, ainda e sempre, a sedimentar as nossas sociedades.

 

Respiramos modelos de crescimento importados de tendenciosos fazedores de opinião e ainda não adquirimos a coragem necessária para descortinar o expectável resultado das posologias de sempre. Impõe-se mudança. Como? Não ouso afimar, mas diria que uma divisão aritmética dos lucros eproveitos gerados pela generalidade de uma dada população será um bom ponto de partida. Naturalmente, a minha opinião é condicionada por uma certa liberdade. Tão minha, que é de todos. E o "p"? Quando fará parte de any given acrónimo? Só aceito resignação se confrontado com um "h". De humanidade.

 

coagitado por Daniel Martins às 22:49
24 de Outubro de 2010

coagitado por Daniel Martins às 09:23

Timothy Geithner desespera por um dólar mais forte que sustente a estabilidade cambial. Consta-se que ligou para Pequim e não deixaram.

coagitado por Daniel Martins às 09:19
20 de Outubro de 2010

A filosofia moral associada ao pai do niilismo é acima de tudo um exercício crítico: põe em causa a moralidade, não só pelo seu compromisso com o descritivo intangível - metafísico ou empírico -  mas igualmente pelo impacto que o supostamente divino quadro de valores morais tem sobre o "super homem". Não se julgue o autor extemporaneamente todavia, na medida em qua a visão ética de Friedrich combina perfeccionismo existencialista (a sua teoria de "bem", mescla de elementos formais e substantivos) com a concepção de perfeição humana, de acordo com a consciência individual e inata, ainda que natural.

 

Enquanto anti-realista, no que à moralidade diz respeito, Nietzsche não acredita ter qualquer espécie de estatuto epistémico especial, o que credibiliza e fundamenta a sua retórica de moral paraesotérica. Não obstante a aparência de ausência de liberalidade - aproveitada ao máximo pelos regimes ditatoriais de direita da primeira metade do século XX - qualquer assunção de filosofia política na escrita do homem de Zaratustra é um mero  exercício ilógico, na medida em que Nietzsche não pretende jamais padronizar estado ou sociedade. Enquanto esotérico moral, procura alcançar a redenção humana face à generalizada falsa consciência moral (a noção cristã de que a moralidade - ou os padrões morais socialmente impostos e aceites - é algo "bom") e descarta a ideia de transformação social. Mude-se o indivíduo e a sociedade será espelho fiel.

 

 

coagitado por Daniel Martins às 22:10

A acalorada discussão em torno da aprovação ou não do Orçamento esconde um dogma inerente, cuja perniciosidade  suplanta os per si inenarráveis malefícios do dito documento. O que está em causa é a verdadeira noção de Estado e de toda a concepção económica e social de Portugal. O projecto apresentado encontra fundamentos num eixo (agora sim, verdadeiramente mefistofélico) de cinco mitos que transformam os horizontes próximos num verdadeiro paraíso de Dali:


O desastre financeiro e a crise económica que atravessamos são consequência directa de estados sobredimensionados e os mercados financeiros não podem ser responsabilizados pela situação

O descalabro a que assistimos desde 2007 é filho da ganância e do despudor de Wall Street e congéneres. Activos tóxicos de consequências desconhecidas e especulação maximizada reduziram a cacos a economia internacional. Através de bailouts sucessivos, os estados provaram ser a solução e não parte do problema.


O défice orçamental está numa incontrolável espiral ascendente, que, se não for parada, trará a Grécia para o lusitano recanto

O défice não chega aos dois dígitos e situa-se em níveis francamente abaixo dos apresentados pela Irlanda ou pela própria França. Não se controla através de medidas extremas de contenção da despesa pública, que mais não fazem do que estrangular uma já moribunda economia. Controlem-se e racionalizem-se os gastos públicos, sem incorrer numa deriva recessiva.


A origem de todos os males reside na natureza excessiva dos gastos públicos e a posologia a aplicar é a redução exponencial dos mesmos

Apesar de um crescimento da despesa pública acima do desejável, a verdade é que a gigantesca crise que envolve a economia global é originada pela queda abrupta do investimento privado. Sem acesso ao crédito, os agentes privados, nomeadamente as fedorentamente famosas PME´s, estão cada vez mais encurralados. O investimento público assume pois um papel essencial neste enredo de série B que envolve todos, mas cuja factura só chega à caixa de correio de alguns.


O sector privado cumprirá com maior rigor e eficácia as funções até agora exercidas pelo Estado.

Mito de sempre, resiste a experiências negativas que há muito deviam ter arrumado a noção numa qualquer gaveta da História. Presumir que entidades privadas, orientadas e balizadas pelo horizonte do lucro, poderão atingir benevolentes objectivos através de políticas fomentadas pelas características inerentes à sua própria natureza, é a mesma coisa que entregar as chaves de casa a um foragido. Non sequitur.


O equilíbrio orçamental é a pedra de esquina de qualquer cenário de estabilidade económica e de preços

Montague Norman ou Herbert Hoover dão pulos de alegria numa qualquer sepultura, perante semelhante argumentação. Nos anos 20, foi esta linha que conduziu a globalidade das nações ao flagelo da Depressão. Os ciclos que caracterizam as economias de matriz capitalista são controlados através de apertada regulação dos mercados e dos agentes económicos. Orçamentos de austeridade em tempos de crise são uma excelente forma de garantir a perenidade da mesma e o agravamento das complicações económicas e sociais.


A novela que envolveu a antecâmara da mais do que esperada aprovação do Orçamento de Estado acaba assim por escamotear aquela que deveria ter sido a discussão em torno do famigerado documento. Mais do que discutir quais as medidas draconianas a serem tomadas, dever-se-ia optar pela discussão do paradigma que até aqui nos trouxe. Impregnada que está a ideia de inevitabilidade de apertar o cinto, urge redefinir as linhas com que cosemos a nossa sociedade e os olhos com que perscrutamos o futuro.

Impõem-se políticas responsáveis e socialmente justas. Atribuir responsabilidades a quem aqui nos guiou e atentar para aqueles que mais irão sofrer com a conjuntura que se anuncia ao virar da esquina. Políticas fiscais responsáveis e assertivas, transparência tributária, moralização da actividade política e reforço do Estado Social são fórmulas nunca verdadeiramente aplicadas. Anunciam-se messiânicas medidas, que não passam de relíquias travestidas em cores de néon. Até quando? O Zandinga que em mim palpita não tem a ousadia de apontar hora, nem dia. Mais cedo do que tarde, espero. Os mitos morrem quando menos se espera.

 

in Câmara de Comuns

coagitado por Daniel Martins às 21:57
19 de Outubro de 2010

Sempre acreditei que a melhor forma de lidar com fanáticos era conceder-lhes o máximo tempo de antena e até algum poder. Parece que não sou o único.

coagitado por Daniel Martins às 09:22

Ninguém sabe quem são, onde compraram a aura de credibilidade inatacável ou a quem prestam contas, mas continuam a condicionar o amanhã de milhões.

coagitado por Daniel Martins às 09:07
17 de Outubro de 2010

A atribulada e titubeante apresentação do Orçamento não desviou os holofotes de um largo conjunto de medidas draconianas, que irá, garantidamente, conduzir o país a uma recessão, fazer disparar a já elevada taxa de desemprego e aumentar os níveis de pobreza. O aumento médio de 4% da carga fiscal e uma completa cegueira social tiram o sono a muitos portugueses. Todavia, a maior contradição de toda esta história surge ao analisar os dados macroeconómicos que serviram de plataforma para a elaborar o documento.

 

Contrariando primários postulados da ciência económica, Teixeira dos Santos prevê um crescimento de 0,3% apesar do aumento previsto da taxa de desemprego, de uma taxa de inflacção acima do suportável por uma economia exaurida, da queda abrupta do investimento público e da consequente quebra nas importações (e do mercado interno...). Aparentemente, o que irá garantir a fuga a uma crise recessiva serão as exportações, cuja previsão de crescimento estará assente sabe Deus e Teixeira dos Santos em quê. Os tradicionais mercados acolhedores de produtos e serviços portugueses não apresentam sinais indicadores de um 2011 pujante e toda a conjuntura parece demonstrar um abrandamento geral da economia global, muito por culpa pela subida de preço das matérias primas. Perante isto, acredito que a solução passará por alguma operação fora do comum, que permita arrecadar receitas extraordinárias. Talvez passe pela revenda dos submarinos, até porque o Tridente não se tem adaptado muito bem às águas do Tejo.

 

coagitado por Daniel Martins às 09:56
15 de Outubro de 2010

...de terminar o que Abril não teve a coragem de sentenciar?

coagitado por Daniel Martins às 23:15

It often happens that the real tragedies of life occur in such an inartistic manner that they hurt us by their crude violence, their absolute incoherence, their absurd want of meaning, their entire lack of style. Oscar Wilde

coagitado por Daniel Martins às 22:33
13 de Outubro de 2010

coagitado por Daniel Martins às 23:18

Confissão feita ao leitor, com orgulho indigno deste (nada) sincero acto de contrição: sou fã de "tascas" e regular frequentador das ditas casas. Há muito escolhi um particular estabelecimento de Alcântara como refúgio de almoço. Pelo pitoresco da casa e dos donos, pela política de preços controlados, pelas pataniscas e por um sem número de razões que não me apraz enumerar neste preciso instante. Entre os camaradas de "tasquice" que fui adquirindo ao longo de meses, destaco um em particular. Antigo estivador no Porto de Lisboa, sindicalista convicto e simpático palreador de todo e qualquer tema que a jeito se ponha. Simpatizei com ele desde a primeira hora. Não obstante o obstinado maoísmo (com a expectável negação das dezenas de milhões de vítimas da aberração feita homem), o exacerbado sportinguismo e o palito que constantemente adorna o sempre visível dente canino.

 

Durante o repasto, o António afirma-se indignado com o novo agente da PSP que anda lá pelo "bairro". Ao que parece o referido agente foi excessivamente zeloso, porque multou a minha companhia de almoço. Que se limitou a estacionar onde toda a gente estaciona, há pelo menos 30 anos. É verdade que estava a pisar "ligeiramente" a passadeira. Mas sinceramente. Não há direito! Fosse ele um desses "pretos" que por aí anda a "gamar" velhotas e o dito polícia nem um dedo ousaria levantar. Finalmente, dei por mim a atingir a essência do maoísmo. E do nazismo. E do salazarismo. E do fascismo. E do estalinismo. E de todos os "ismos" que não passam de plasticina ideológica que reveste egos gigantescos e oportunistas. Ah! Pelo caminho percebi também qual a origem do lusitano fado. Andam por aí mais Zedongs travestidos do que seríamos capazes de admitir...

coagitado por Daniel Martins às 22:44
11 de Outubro de 2010



coagitado por Daniel Martins às 20:31

A 23 de Janeiro do décimo primeiro ano deste segundo milénio seremos chamados a participar na festa de consagração do sempre austero e ainda mais heróico cidadão que escapa imaculado ao erro e quase sem arranhões à dúvida. Isso. Adivinhou: falo de Cavaco Silva. O macambúzio inquilino do Palácio de Belém renovará o contrato por mais cinco anos, envolto na aura de quem permitiu o entendimento entre José Pinto de Sousa e o amigo de Ângelo Correia que por ora ainda vai ditando leis, ali para os lados da São Caetano à Lapa. A bóia foi estendida e o pessoal vai acreditar pela enésima vez no conto de fadas. Sorridente como nunca, o fleumático algarvio anunciará que estão criadas condições para a recuperação do país. Pelos actores de sempre e sem grandes desvios do guião do costume. À boa maneira da mexicana novela que é a alternância de poder no luso burgo.

 

Sócrates aparecerá ao lado do derrotado, contudo alegre, Manuel, mas não conseguirá disfarçar o júbilo por não ter de aturar alguém de esquerda quinzenalmente. Não volta a ouvir a lenga lenga do milhão de votos e, à boa maneira norte-coreana, é nomeado Querido Líder entre as hostes que de socialistas já só têm o "s". O inseguro António volta a um recanto do parlamento e entrega-se a oposição ao António Maria, que dizem ser um Saralho do Carrilho. Ainda que não em inglês técnico, já está preparado o anúncio de fim da crise. À segunda lá iremos e o Pinho anda por Columbia a acender as iluminadas mentes universitárias americanas. A EDP, fruto dos benefícios arrecadados pelo patrocínio a tão patriótica demanda, será a candeia que alumiará o já então V Império no seu esotérico trilho de ainda mais sinuosa glória.

 

O Pedro cederá, mais cedo ou mais tarde, ao Rio que contra ele corre e que na Invicta nasce. O homem que por aí anda não gostará muito da conversa e mais cedo que tarde os gatos, que no saco laranja quietos permanecem, sairão para a arena. Com os resultados de sempre.

 

Pergunta o leitor: e o povo, pá?

 

coagitado por Daniel Martins às 20:05
10 de Outubro de 2010

..quem acredita que esta fantochada à volta do Orçamento de Estado não passa de um fait divers. O Pedro não faria uma maldade dessas ao Aníbal e o José, para além de ainda gostar dos ares de São Bento, prefere mil vezes ver o Aníbal por Belém. O Manuel tirar-lhe-ia a alegria de viver. Enquanto isto, bola cá, bola lá e os suspeitos do costume continuam a coser as linhas de um estado velho e gasto. Com ou sem orçamento, o Zé (o do Bordalo) sabe que a conta chega sempre ao fim do mês.

coagitado por Daniel Martins às 17:22
08 de Outubro de 2010

coagitado por Daniel Martins às 22:56

...que se cortar nos salários do pessoal é bem capaz de arrecadar uns dinheirinhos a menos em sede de IRS. Impensável, eu sei. Estas entrelinhas fiscais não são facilmente discerníveis. Perdoe-se o senhor.

coagitado por Daniel Martins às 22:55

coagitado por Daniel Martins às 00:15
07 de Outubro de 2010

Saiba qual a redução do seu salário... E sorria: é in!

coagitado por Daniel Martins às 22:34

Confesso admirador de Llosa de há muitos anos a esta parte, fiquei todavia surpreso com a ousadia da Academia dos amigos louros ao escolher o hispano-peruano para vencedor do galardão máximo neste ano que Deus tem e que devia esconder num qualquer obscuro recôndito. Llosa ecoa na minha mente Rigoberto, o tradicional e tradicionalista vendedor de seguros. Mas, acima de qualquer outra consideração, recorda-me Fonchito, o terrível filho que se envolve com Lucrécia, a santa mas perversa madrasta. Para, logo de seguida, promover o reencontro entre pai e mãe de essência. Não por saudade de maternalidade ou de convencional família, mas por mero experimentalismo. Sádico, mas ousado. Nas carambolas da vida, todos somos Fonchito. Interrogamos o abismo, avançando por vezes na direcção do desconhecido. Alter ego de Mário, Fonchito é meu amigo. Quando o pessoano modo funcionário ganha vida, nas entrelinhas sou Danielito, o intrépido. Que contorce convenções sociais, como nem Rousseau imaginou. Cesse a divagação! Hoje é dia do Fonchito. Que disfarçado de Mário, pelas avenidas de Estocolmo passeou. Não como Salvador sonhou. Até porque em La Moneda (70´s version), ninguém mais salvou. Allende de seu nome. Amigo do Vargas, que hoje brilhou quase tanto como no dia em que Fonchito se tornou.

coagitado por Daniel Martins às 22:21
06 de Outubro de 2010

Escuto as garantias de crescimento económico, transmitidas pelo realmente simpático e ligeiramente anafado Vieira da Silva. Minutos depois a caixita que ainda e sempre seda o mundo informa-me que o FMI garante uma recessão da economia, que inevitavelmente aterrará na Portela em 2011. Não sei o que passará na mente do leitor perante o antagonismo destas novidades. Na minha mente, ecoa apenas uma ideia: Bertrand Russel e o seu "profundo oceano de angústias". As limitações da própria lógica - e da razão... - que são expressas pelos paradoxos que ela própria construiu. A única bóia de salvação transforma-se subitamente no nosso naufrágio. Pergunta agora o leitor: e o que é que essa lenga lenga tem a ver com o simpático ministro e com a já entediante crise? Responde este diletante: emaranhados de irrazoabilidades económicas que se encontram presas no beco que as originais ideias construiram. Com a mesma lógica de sempre, não saimos da cepa torta. O colapso de todas as certezas devia estar à vista de muito boa gente. Todavia, ficam-se pelo oceano de angústias, onde nos afundam. Imposto após imposto.

 

 

coagitado por Daniel Martins às 20:54

coagitado por Daniel Martins às 20:15
05 de Outubro de 2010

Celebrada que está a república e tendo passado um século sobre o fim da monarquia, é tempo de deitar borda fora outro conceito difuso de efeitos perversos: o PIB - Produto Interno Baralhado (Bruto na óptica de uns quantos...).  Na década de 1930, Simon Kuznets deu azo à criação da noção, cuja definição se traduz, grosso modo, por "dollar value of finished goods and services". Ou seja, uma medida difusa e pouco concretizável de todo o rendimento gerado dentro de determinada circunscrição geográfica (país). Criada no auge de recuperação da Grande Depressão, a ideia era minimamente indicativa e acertada na época, pois media os dados relativos a uma estrutura económica de matriz basicamente industrial e mercantilista. Oitenta anos volvidos, o paradigma alterou-se radicalmente: a actual estrutura nacional e global em que assenta toda a actividade económica baseia-se na transacção de serviços e conhecimento. Logo, o conceito de medida, cujo equilíbrio dita os malfadados tempos que correm, está plenamente ultrapassado e não é minimamente fiável em termos que quantificação de riqueza gerada.

 

Através desta métrica, qualquer espécie de actividade económica contribui para a formação do valor total do PIB. Não releva a natureza produtiva da actividade em causa, nem sequer o progresso e crescimento que a ela seja ou não associado. Por exemplo, o recente caso Casa Pia terá contribuído em alguns milhões de euros para o PIB nacional, através dos honorários pagos a advogados, das viagens de jornalistas a Elvas, etc. Duvido, todavia, que haja vivalma que sustente que semelhante circo mediático tenha contribuido para enriquecer - ou enobrecer...- o nosso cantinho de brandos costumes.

 

De facto, actividades de natureza intrinsecamente perversa tendem a contribuir de forma mais generosa para o PIB, quando comparadas com outras de natureza muito mais positiva. Recentemente passei por Constância. A beleza do lugar é facilmente olvidada, logo que o pérfido e nauseabundo cheiro da indústria local cumprimenta o nosso olfacto. Todavia, a actividade geradora de semelhante catástrofe contribui - e muito! - para a riqueza nacional, conforme a contabilização proposta por Kuznets. Primeiro, houve toda a contribuição gerada pela construção das instalações fabris. De seguida, o PIB engordou - e continua a engordar...- à custa da produção gerada. Passado algum tempo, o estado dispendeu quantias pornográficas para limpar recursos aquíferos circundantes. Finalmente, alguns milhões foram, e são, gastos em despesas médicas de trabalhadores fabris e da própria população. Em termos de mensuração económica convencional, tudo isto foi riqueza gerada. Tal como a desflorestação, ou qualquer outro tipo de actividade dedicada a exaurir recursos naturais.

 

Em suma, aplicando esta métrica para medir a actividade económica, estamos a dizer que um paciente diabético, com um dispendioso processo de divórcio em mãos, é o paradigma de verdadeiro super-herói para a economia nacional. Os malfadados 3%, artificialmente criados e realmente impostos por uma antiga efectiva da Stasi que, de Berlim, se proclama João Baptista da economia europeia, poderão muito bem pôr-nos nessa situação. Pessoalmente, o simples nome da moçoila teutónica provoca-me um desejo doido de açúcar. Muito açúcar. Agarrem-me, por favor!

 

 

coagitado por Daniel Martins às 20:13

Conhece o leitor um único apaniguado da causa monárquica que não tenha seis nomes pomposos a embelezar o cartão de cidadão? Ou que não vista Lacoste? Ou que não seja aficionado da barbárica festa brava?

coagitado por Daniel Martins às 20:09
03 de Outubro de 2010

coagitado por Daniel Martins às 17:58

Cinema paraíso
coagitado por Daniel Martins às 14:22

Na sua mais lúcida das crónicas, Krugman desmistifica a noção de desemprego estrutural, o mais recente dogma dos seguidores da doutrina neoliberal. Os mesmos que aqui nos conduziram e que agora querem difundir responsabilidades e sacudir a água do capote. O desemprego e a precariedade laboral serão tão mais perenes, conforme seja estrutural a desadequação da estrutura económica e social de determinada sociedade.

 

Ao assegurarem a necessidade de flexibilizar o que já é bastante flexível, os economistas da OCDE partiram do postulado errado, acima enunciado. Com efeito, ao limitar os direitos dos trabalhadores (mera figura de estilo na mente destes iluminados ratos de gabinete) e retirar ainda mais segurança laboral aos principais geradores de procura, limita-se automaticamente o crescimento do mercado interno. Simultaneamente, a própria produtividade fica seriamente afectada, conforme demonstrado por diversos estudos comparativos sobre as diferenças de produtividade entre trabalhadores precários e trabalhadores com situação laboral estável e segura. Dizendo adeus a este móbil de competitividade, desaparece do nosso horizonte a tão almejada recuperação económica. Por Pinho anunciada, mas ainda não vislumbrável.

 

Os portugueses (e gregos, e espanhóis, e irlandeses, and so on) estão perplexos e angustiados. Não contribuiram para a crise, nem imaginam, na sua grande maioria, o que seja um CDS ou o significado da palavra  subprime. Sentem a tal mão "invisível" a entrar-lhes carteira dentro e começam a ficar cansados de ouvir a mesma solução vezes sem conta. Talvez não voltem a cair na esparrela. Soluções velhas e gastas para os problemas de sempre são uma excelente forma de desresponsabilização e de manutenção de um certo status quo. Por falar nisso, alguém viu por aí Dias Loureiro?

coagitado por Daniel Martins às 13:46

... teremos a rua à porta. O povo, que se tornou uma entidade abstracta ou conceito difuso na mente dos que se refugiam no modo pretensioso de ser, sairá para as esquinas e avenidas deste nosso Portugal. Não deixando que os chaimites se fiquem pelo Carmo.

coagitado por Daniel Martins às 00:04
01 de Outubro de 2010

When it comes to wines of the Iberian kind, it seems like Spain gets all the love. Lesser known are the robust reds and crisp whites of Portugal, whose mountainous north and rolling southern plains breed a batch of grapes that make for sumptuous wines.

coagitado por Daniel Martins às 01:00

The global economic crisis should be a wakeup call to the world. We need to rethink and rebuild many of the organizations and institutions that have served us well for decades, but now have come to the end of their life cycle. This is more than a recession or the aftermath of a financial crisis. We are at a turning point in history.


Let's face it. The world is broken and the industrial economy and many of its industries and organizations have finally run out of gas, from newspapers and old models of financial services to our energy grid, transportation systems and institutions for global cooperation and problem solving.

coagitado por Daniel Martins às 00:59
30 de Setembro de 2010

Max Weber falou do termo há uns quantos anitos. As draconianas medidas anunciadas ontem, mas há muito esperadas, são reflexo deste fenómeno. Não quero com isto defender um caminho despesista ou o descontrolo das contas públicas. Todavia, enough is enough, e é tempo de colocar numa prateleira os pontos de interrogação e sair para a rua. Basta!

 

O anúncio de cortes salariais para a função pública, de redução das prestações do Rendimento Social de Inserção, de abolição do abono de família para famílias com rendimentos acima dos 643 euros, entre outras medidas de igual estirpe, constitui um ataque sem paralelo à essência da democracia e da sociedade portuguesa. Quem, a título de exemplo, adquire submarinos a preço exorbitante e simultaneamente ataca os sectores mais desprotegidos da sociedade, não é merecedor do epíteto de socialista e  preenche os darwinianos requisitos de predador.

 

A solução apresentada é fórmula gasta e não resolve minimamente os problemas dos dias que correm. O aumento das receitas através do IVA, sem a devida revisão dos escalões do referido imposto, revela o desespero de quem nos governa. A simples criação de um escalão adicional para bens de luxo, na ordem dos 33%, representaria para o erário público uma receita estimada de cerca de 400 milhões de euros (mais do que a poupança estimada com o corte nas transferências do Estado para o Ensino e para os subsectores da administração pública).

 

Incomoda de igual forma verificar as difusas e nada concretas medidas dirigidas ao sector financeiro (que em muito contribui para a situação em que se encontra o país), sobretudo quando comparadas com as bem concretas e definidas medidas impostas à generalidade da população. Para quando equiparar a taxa de IRC aplicada à banca à taxa aplicada às restantes empresas? Valor estimado de receita de semelhante medida: 3,2 mil milhões de euros. Leu bem. Não seria necessária qualquer medida adicional. Poder-se-iam extinguir simultaneamente uns quantos institutos, fundações e empresas públicas, reduzir uns quantos gabinetes e eventualmente substituir flores naturais por flores artificiais. Daquelas baratinhas, que se vendem num qualquer chinês. O protocolo cumpria-se e poupavam-se mais de 600 mil euros...

 

Survival of the fittest? Não! O ser humano transcende a evolução. Por isso somos....humanos.

coagitado por Daniel Martins às 09:31
29 de Setembro de 2010

Piquetes de greve envolvem-se em confrontos com a polícia madrilena, os dois aeroportos de Bruxelas estão cheios de passageiros que ficaram em terra devido à greve dos controladores aéreos belgas e a própria capital do reino sonhado por Schuman se prepara para assistir a uma histórica jornada de protesto, encetada por trabalhadores dos quatro cantos do Velho Continente.

 

A austeridade que tem norteado as medidas tomadas por velhos líderes de um continente que se quer renovado começa a fazer-se sentir no quotidiano de todos aqueles que se posicionam nas mais baixas posições da grande cadeia alimentar que é toda e qualquer sociedade. Enquanto se retiram comparticipações  nos fármacos para a população idosa de mais baixos rendimentos, decide-se avançar para a aquisição de novas viaturas anti-motim para a PSP. Quando a GNR tem essas viaturas estacionadas na garagem. Por terras gaulesas, um determinado baixote decidiu divergir atenções de uma injusta reforma do sistema de pensões ao expulsar indiscriminadamente elementos de determinada etnia, que por acaso até são cidadãos de um país membro da grande e sonhada União.

 

O povo começa a sair à rua. Lições que já deviam ter sido estudadas. Não são os princípios, nem os líderes, que mobilizam os protestos de uma cada vez maior fatia da população. É o tempo que corre. Como dizia Proudhon.

coagitado por Daniel Martins às 08:37
28 de Setembro de 2010

Então não é que o tão alarmante e polémico relatório anual da OCDE sugere que as restritivas regras de acesso ao subsídio de desemprego carecem de urgente reforma, de modo a permitir o acesso de um exército de pessoas que por ora a ele não acedem, em função de um histórico de de precariedade laboral?

coagitado por Daniel Martins às 09:20

Cachucho não é coisa que me traga a mim
Mais novidade do que lagostim
Nariz que reconhece o cheiro do pilim
Distingue bem o mortimor do meirim
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Há tanto nesta terra que ainda está por fazer
Entrar por aí a dentro, analisar, e então
Do meu 'attachi-case' sai a solução!

FMI Não há graça que não faça o FMI
FMI O bombástico de plástico para si
FMI Não há força que retorça o FMI

Discreto e ordenado mas nem por isso fraco
Eis a imagem 'on the rocks' do cancro do tabaco
Enfio uma gravata em cada fato-macaco
E meto o pessoal todo no mesmo saco
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Não ando aqui a brincar, não há tempo a perder
Batendo o pé na casa, espanador na mão
É só desinfectar em superprodução!

FMI Não há truque que não lucre ao FMI
FMI O heróico paranóico 'hara-quiri'
FMI Panegírico, pro-lírico daqui

Palavras, palavras, palavras e não só
Palavras para si e palavras para dó
A contas com o nada que swingar o sol-e-dó
Depois a criadagem lava o pé e limpa o pó
A produtividade, ora nem mais, célulazinhas cinzentas
Sempre atentas
E levas pela tromba se não te pões a pau
Num encontrão imediato do 3º grau!

FMI Não há lenha que detenha o FMI
FMI Não há ronha que envergonhe o FMI
FMI ...

coagitado por Daniel Martins às 09:17
27 de Setembro de 2010

"Liquidate labor, liquidate stocks, liquidate the farmer, liquidate real estate. It will purge the rottenness out of the system. People will work harder, lead a more moral life."

coagitado por Daniel Martins às 09:52

Perante a perspectiva de se apresentar a eleições perante um país gerido "duodecimalmente", o homem de Boliqueime apressou-se a convocar a panóplia de partidos com representação parlamentar para um pequeno "tête à tête" em Belém. Imagine o leitor a argumentária do homem que nunca se engana e que raramente tem dúvidas num eventual cenário de caos durante a campanha eleitoral. Eleito pela austeridade da figura e por supostas doutas qualidades enquanto economista, Cavaco veria o seu "balão" esvaziar. Sócrates, que tem pesadelos povoados por figuras alegres a desembarcarem perto do Padrão dos Descobrimentos, certamente dará uma ajudinha. O rapaz que tem um altar de Mankiw na sua conveniente casa de Massamá, também não quer abrir mais brechas num partido que entrou em ebulição com as primeiras notícias de descida nas sondagens. Fait divers enquanto não se alcança um entendimento anunciado.

coagitado por Daniel Martins às 09:16
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26 de Setembro de 2010

coagitado por Daniel Martins às 12:22

Os galhardos rapazes da berrante camisola venceram na Madeira com toda a justiça. Gostei da equipa e sinto que a história deste campeonato ainda não acabou. Permitam os homens do apito. Será que existe alguma indicação superior que os impeça de assinalar o castigo máximo a favor do Benfica?

coagitado por Daniel Martins às 12:17
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Li por acaso e adorei..
Claro que à esquerda não há extremistas. Sempre a ...
Danny, ganha juízo, pá
Temos os líderes que merecemos.
Não me ocorre nenhuma maneira melhor de passar um ...
Mas quando?
Gosto das ideias, mas deviam rever o grafismo do b...
Gostei! Continua assim, indomável...
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