"Les tableaux sont effrayants, les principes sont perverts, les conséquences sont terribles, et c'est pourquoi nous avons écrit. S'il est dangereux de parler, il serait perfide de se taire." Jean-Pierre Louis de Luchet
26 de Setembro de 2010

David Cameron teve ontem o primeiro revés, desde que recolocou os tories no número 10 de Downing Street. No fratricida confronto pela liderança do Labour, saiu vitorioso o caçula Miliband. David, o mais velho, representava o último resquício da desgastada Terceira Via, enquanto o vitorioso Ed se propôs a "radicalizar" a acção política dos trabalhistas. A diferenciação que Ed irá proporcionar ao grande partido da esquerda britânica, colocará o recém-eleito executivo sob pressão, sobretudo numa altura em que começa a colocar em prática a sua agenda liberal, cortando a direito as despesas com o estado social e ameaçando privatizar tudo o que seja serviço público em terras de Sua Majestade.

 

Brown e Blair empreenderam uma viragem ao centro que custou aos publicamente exauridos trabalhistas as últimas eleições, onde sofreram uma derrota de proporções bíblicas. O eleitorado tradicional fugiu para os Lib Dems, que inclusivamente garantiram o apoio de muitos sindicatos. Sindicatos que agora constituiram uma das chaves da inesperada vitória do Miliband que defende a causa ambientalista, o fortalecimento do papel das organizações sindicais, a importância do apoio à participação comunitária ou ainda o regresso dos britânicos ao multilateralismo diplomático.

 

No discurso de vitória, Ed vincou uma mensagem de mudança e de crença. Não sendo de Chicago, tem uma certa aura que acompanha os grandes líderes e pressente-se uma genuidade de espírito capaz de mover multidões. Prepare-se Cameron: a sua estadia em Downing Street não será  um mar de rosas e arrisca-se a terminar muito mais cedo do que o previsto.

coagitado por Daniel Martins às 12:14
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22 de Setembro de 2010

 

As recentes e controversas medidas tomadas pelo executivo gaulês no sentido de “livrar” os franceses de centenas de ciganos têm vários paralelos históricos. A década de 20 e 30 do século passado marcou o apogeu da emergência de movimentos e partidos de matriz xenófoba no Velho Continente, com especial destaque para o NSDAP na Alemanha e para o Partido Nacional Fascista em Itália. Apesar de terem ascendido ao poder de forma (relativamente) democrática, ambos acabaram por ter o poder absoluto nos respectivos países. Tanto Hitler, como Mussolini, agregaram grandes multidões à sua volta graças ao caminho apontado como salvação e saída da Grande Depressão. Não devemos perder de vista o citado móbil de crescimento de ambos os movimentos, nem podemos racionalmente analisar a conjuntura actual sem relembrar a criação de um “inimigo” comum (na altura, o comunismo) que sempre baliza e orienta a limitada paleta de princípios desta estirpe partidária.

Abre consecutivamente blocos noticiários e ocupa  e preocupa todos nós. O seu nome é crise. Não obstante a sempre perene presença, actualmente atinge níveis que só encontram paralelo com a famigerada Depressão. Fazendo disso proveito, papão socialista assola de forma mais notória os WASP americanos, mas também faz comichão a muito boa gente por essa Europa fora. Primeiro bode expiatório encontrado. Abundam no nosso e nos restantes “euro-burgos” os fazedores de opinião que insistem em culpar o estado social e o próprio Estado pela crise que se vive. Esquecem a matriz liberal que aqui nos trouxe e absolvem os Madoff desta vida, cuja vida pouco ou nada é afectada pelo tempo que corre.

O rodas baixas do Eliseu e a sua UMP não são, todavia,  caso virgem no continente que estranhamente se orgulha de ser o farol moral deste mundo. Bossi em Itália ou ainda o Vlaams Belang  na Bélgica consubstanciam um crescente movimento que assume contornos que não podem ser ignorados. Sob pena de um retrocesso civilizacional de consequências imprevisíveis. Se é verdade que grande parte dos movimentos europeus de extrema-direita não passam de meras organizações neo-nazis, outros há que colocam menos ênfase no revivalismo nazi e que centram a sua retórica na atribuição de culpa por todos os males às respectivas comunidades imigrantes, às minorias étnicas e/ou religiosas. O dado mais preocupante de todo este processo centra-se na aceitação que estes senhores têm vindo a encontrar junto das classes mais baixas, cada vez mais afectadas pelo desemprego e cujo horizonte enegrece a cada dia que passa. Adquirem uma aura messiânica e são olhados com imerecida respeitabilidade por quem devia desdenhar um “déjà vu” que não pode ser aceitável em pleno século XXI.

Infelizmente, o recente caso francês não é caso isolado e deve ser encarado como mais um de muitos que o antecederam por essa Europa fora. Não será o último e a discussão apenas começou. Aprendamos com os erros do passado e esperemos que a intrépida Reding seja exemplo a seguir. Chamberlain e a sua paz podre não é paradigma desejável para os dias de hoje. Ceder, neste momento, implica a aceitação de uma espiral que acabará por acarretar um fim previsível e escrito com o sangue de muitos nos anais da História.
coagitado por Daniel Martins às 11:06
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20 de Setembro de 2010

 

Joseph Ratzinger prossegue a sua demanda pela salvação da face da multimilionária organização que dirige. Na anglicana ilha, atribuiu as culpas dos males desta vida e da humanidade ao ateísmo e à ausência da mundividência dos crentes nos centros decisórios e no quotidiano de uma cada vez mais maioritária fatia da população. Recorre a sentimentos de rivalidade ancestrais e a memórias traumáticas, afirmando o suposto ateísmo do regime nacional-socialista de Hitler. Em suma, sacode a água do capote e dispara em todas as direcções. How christian of him...

Richard Dawkins respondeu à letra ao senhor do Vaticano durante uma manifestação de protesto contra a presença do antigo membro da Juventude Hitleriana em terras britânicas:

“Joseph Ratzinger is an enemy of humanity. He is an enemy of children whose bodies he allowed to be raped and whose minds he has encouraged to be infected with guilt. It’s embarrassingly clear that the Church is less concerned with saving child bodies from rapists than with saving priestly souls from hell. And most concerned with saving the long-term reputation of the church itself."

Repetidamente elogiado pelos "Césares das Neves" desta vida pela sua douta e iluminada cultura, Ratzinger podia fazer melhor. Ao referir o suposto ateísmo dos nazis comete um erro histórico e absolutamente propositado. Enquanto serviu o referido regime enquanto ajudante de campo, certamente teve oportunidade de observar a fivela do cinto que gentilmente lhe foi providenciado por Hitler e Cª. Na referida peça de metal lia-se Gott mit uns, ou seja, Deus connosco. Bastante ateu. Ademais será conhecedor da concordata assinada por Hitler e pela Santa Sé ou ainda das elogiosas palavras reservadas por Pio XI a Mussolini - um enviado pela Providência.

A pretensão de ver a primária crença numa entidade imaginária banida da vida humana parece-me utópica e completamente irrealista. Não o almejo, nem ouso imaginar. O que se pretende é reconduzir religiões e respectivos líderes ao seu devido lugar na sociedade. Dentro das igrejas a pregar a um número decrescente de fiéis. Lutando desesperadamente por encontrar o seu espaço num mundo cada vez mais esclarecido e revirando doutrinas ancestrais, tornadas obsoletas pelo avanço do conhecimento humano. Longe de crianças, se possível.
coagitado por Daniel Martins às 13:07

Carlos Cruz dispende a maioria do seu tempo a negar a prática de abusos sexuais de menores na TV. Ratzinger chega a qualquer parte do mundo e pede desculpa pelos abusos cometidos pelo clero no país anfitrião. Apesar de tudo, mais cristão.

coagitado por Daniel Martins às 13:05
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Li por acaso e adorei..
Claro que à esquerda não há extremistas. Sempre a ...
Danny, ganha juízo, pá
Temos os líderes que merecemos.
Não me ocorre nenhuma maneira melhor de passar um ...
Mas quando?
Gosto das ideias, mas deviam rever o grafismo do b...
Gostei! Continua assim, indomável...
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