"Les tableaux sont effrayants, les principes sont perverts, les conséquences sont terribles, et c'est pourquoi nous avons écrit. S'il est dangereux de parler, il serait perfide de se taire." Jean-Pierre Louis de Luchet
11 de Janeiro de 2011

Os reis da crescente retórica medieval do Tea Party, Glenn Beck e Sarah Palin, continuam a sua demanda pela reconquista de Washington. Ambos têm sido frequentemente citados pelos media norte-americanos, a propósito do incidente mortal ocorrido no Arizona. Enquanto a congressista Giffords enfrenta o derradeiro destino, o mórmon que chora enquanto vocifera aberrações anacrónicas mostra toda a sua preocupação pela segurança pessoal da antiga governadora do Alaska. Sintomático. Perante semelhantes afirmações de preocupação pelo bem-estar da personagem que alimenta insónias  de qualquer ser humano dotado de bom senso, todas as tentativas de branquear a responsabilidade moral pelo sucedido em Tucson tropeçam num enorme ponto de interrogação.

 

Jared Loughner, o carrasco de Tucson, será o único que poderá esclarecer cabalmente as razões de tão tresloucado acto. Todavia, quaisquer que tenham sido os seus motivos, a dividida sociedade americana deparou-se com os efeitos da interpretação deveras extensiva da Segunda Emenda, professada pelos correligionários de Barry Goldwater, como Sharron Angle:

 

You know, our Founding Fathers, they put that Second Amendment in there for a good reason and that was for the people to protect themselves against a tyrannical government. And in fact Thomas Jefferson said it’s good for a country to have a revolution every 20 years.

 

I hope that’s not where we’re going, but, you know, if this Congress keeps going the way it is, people are really looking toward those Second Amendment remedies and saying my goodness what can we do to turn this country around? I’ll tell you the first thing we need to do is take Harry Reid out.

  

As palavras da candidata derrotada por Harry Reid no Nevada foram proferidas em Junho do ano passado. Logicamente, não houve, nem se espera, qualquer espécie de retrocesso ou de arrependimento por parte da autora do incendiário discurso.  Mais preocupante é o silêncio da liderança nacional do GOP. A inexistência de uma única voz de repúdio pela retórica de violência é reveladora de  maquiavelismo insensato, cujo único fito é a conquista do poder a qualquer custo.

 

A questão que preocupa a generalidade dos comentadores do outro lado do Atlântico não concerne, naturalmente, na equiparação das palavras de Sharron Angle com o acto inenarrável perpetrado por Loughner, no passado sábado. Na verdade, a questão é mais profunda e preocupante: saber até que ponto Loughner, Angle e a generalidade dos líderes e seguidores do Tea Party partilham a mesma filosofia e visão política. O recurso à falácia da violência no confronto político é óbvio em ambos os casos, embora Angle tenha recorrido à palavra e à ideologia por oposição à raiva e brutalidade de Loughner.

 

O até agora anónimo Loughner enfrentará a justiça e a condenação parece mais do que certa. Angle e os republicanos que a apoiam foram céleres no repúdio ao recurso à violência e na condenação do incidente que, provavelmente, marcou o início do fim de Palin e companhia. Ousar culpabilizar a antiga governadora do Alaska, Sharron Angle ou o Tea Party pelo sucedido seria um manifesto exagero. No entanto, tanto eles, como a sociedade americana, ficaram cientes do impacto que a retórica belicista e de antagonismo extremo tem num país onde se pode adquirir uma metralhadora automática em qualquer Walmart. Sarah vê a Casa Branca por um canudo, Obama acaba de garantir uma segunda metade de mandato mais tranquila e a reeleição deixou de ser mera miragem. 

coagitado por Daniel Martins às 17:51
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